Contador autônomo: ser ou não ser?

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Toda empresa precisa de um contador. Isso é fato, por vontade ou necessidade de estar sempre em ordem. E em 2016 há muito trabalho para esses profissionais, conforme relatado no artigo ‘Nunca antes na história deste País’ os profissionais de Contabilidade trabalharam tanto, do blog do Sped Controle.

Algumas optam por manter um contador exclusivo. Outras, preferem contratar os serviços de um escritório de contabilidade. Já algumas, geralmente as menores, preferem contratar um contador de acordo com a demanda ou por meio de uma relação direta.

Mas isso é uma questão empresa. E o profissional? O que é mais vantajoso para ele? Trabalhar como autônomo ou trabalhar para um escritório? Ou, talvez arriscar e montar o seu próprio negócio?

É importante lembrar que cada um sabe o que é melhor para si e vários fatores influenciam em tomadas de decisão. Algumas vantagens podem não superar outros anseios, como passar mais tempo com a família por exemplo.

Veja algumas diferenças para quem é autônomo ou abre seu próprio negócio, o que chamam de empreender.

Impostos

Em um cenário em que ele esteja como autônomo ou empresário, o profissional paga impostos de forma diferente.

Como uma empresa de contabilidade, que emite notas fiscais e opta pelo regime de tributação Lucro Presumido, ele paga em torno de 11,33% sobre o cada nota fiscal emitida. Esse valor é ainda acrescido do Imposto Sobre Serviços (ISS).

Já o contador autônomo utiliza o livro caixa, um documento de controle que registra todas as receitas e despesas profissionais durante o mês.

Despesas profissionais são aquelas intrínsecas à ocupação do contador (aluguel, serviços de água, luz e telefone, material de escritório e outras coisas).

Em um mês, somam-se as receitas e subtraem-se as despesas dedutíveis, gerando o rendimento líquido profissional, sobre o qual incidem o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)

O IRPF chega a 11,45% sobre o rendimento líquido, ou seja, mais rendimentos é igual mais impostos.

Sem patrão

É comum ouvirmos de autônomos a frase “não tenho patrão, eu mesmo faço meus horários”, ou algo do tipo.

Se o profissional optar em ser autônomo por não ter patrão específico, é interessante rever os conceitos sobre o que é ser patrão, já que geralmente é quem paga seu salário.

Caso o contador mantenha vários clientes, naturalmente terá vários patrões exigindo sua excelência enquanto profissional. E para dar conta é preciso de doses maiores de paciência e dedicação de mais horas do que aquelas trabalhadas para uma empresa.

Algumas vantagens

Como citamos no tópico anterior, como autônomo é possível ter mais flexibilidade de horários, adequar suas atividades ao seu tempo e trabalhar sem ter que seguir um horário rígido. Mas, como tudo há um grande porém.

Se ele já possui uma carteira de clientes consolidada, conseguiu ao longo de um tempo fazer investimentos que ofereçam um certo conforto, o autônomo pode escolher o quanto deseja trabalhar por dia, escolher seus clientes, recusando trabalhos que considere desagradáveis ou solicitados por pessoas em quem ele não confie.

Outras desvantagens

Como autônomo, o profissional não conta com certos direitos trabalhistas que teria caso trabalhasse para alguém, com carteira de trabalho assinada. Pagamento de horas extras, férias e 13º salário, seguro desemprego, repouso semanal remunerado, salário garantido, folga e licença em ocasiões especiais, desconto máximo de até 6% do salário no vale-transporte, etc.

Como colaborador de uma empresa, terá que pagar somente metade do valor cobrado pelo INSS, já que a outra metade é paga pelo patrão.

Já como autônomo, terá que bancar o valor sozinho efetuar esse pagamento em dia, o que exige disciplina. Como dono de uma empresa, por sua vez, terá que oferecer os direitos trabalhistas a todos os seus funcionários.

Responsabilidades

Como autônomo, o profissional acumula funções, de vendedor, gestor, advogado e assim por diante – mesmo que possa “terceirizar” esses serviços.

Como funcionário, terá horários e prazos mais rígidos a cumprir.

Por fim, como empresário, terá que gerenciar e liderar sua equipe.

 

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