Fazenda começa a divulgar dados sobre desigualdade com base no IR

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Com base nos dados do Imposto de Renda (IR), o Ministério da Fazenda divulgará anualmente um relatório sobre a distribuição de renda e riqueza entre a população brasileira. As informações coletadas permitirão discutir, por exemplo, a progressividade do IR e a criação de uma faixa específica para os mais ricos, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério, Manoel Pires.

“Essa é uma discussão que sempre existiu. A gente pode iluminar melhor essa questão de que faixa, que alíquota seria essa [destinada aos mais ricos]. [A discussão] aconteceu em todos os países em que esse tipo de informação foi divulgada”.

Uma portaria deve ser publicada até quarta-feira (11), com a previsão de divulgação do relatório, a cargo da Secretaria de Política Econômica. Os dados partirão do processamento das declarações de ajuste do IR pela Receita Federal.

De acordo com o secretário, levantamentos domiciliares, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), não conseguem captar dados dos extratos mais elevados da renda, o que será suprido pelo relatório.

“As pesquisas representam bem a média da população, mas têm dificuldade em identificar os extremos da distribuição de renda”, analisou. Informações formatadas com base na nova metodologia mostram, por exemplo, que, segundo a declaração de renda de 2015 com dados de 2014, 0,1% da parcela mais rica da população, equivalente a 27 mil pessoas, declarou 3.101% a mais do que o rendimento médio da economia. Elas também possuem 6.448% mais que o estoque de riqueza médio.

 

IR: 8,4 dos declarantes possuem 30,4% da renda tributável

Informações obtidas a partir da Fazenda indicam que apenas 8,4% dos declarantes do Imposto de Renda em 2015 possuem 30,4% da renda tributável e 59,4% do estoque de riqueza.

Os dados mostram ainda que 1% das pessoas concentram 48,5% da renda no grupo dos 5% mais ricos do Brasil, proporção que só é inferior à observada nos Estados Unidos, onde é de 51,5%; e na Alemanha, de 49,4%.

Logo atrás do Brasil vem o Reino Unido, com 46,2% de concentração de renda no grupo dos 5% mais ricos.

 

 

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